Novo estudo mostra ser possível ‘decodificar’ com o auxilio de estratégias computacionais certos conteúdos dos sonhos.
Por meio procedimentos computacionais, empregando técnicas de
aprendizado de máquina, que comparam a atividade cerebral durante o
sono, de participantes do estudo, com os padrões de atividade coletados
enquanto os mesmos estavam acordados, olhando para certos objetos, o
computador foi capaz de aprender a identificar alguns dos conteúdos
experienciados por estas mesmas pessoas em seus sonhos durante o período
de início do sono. Assim, com o auxílio de bases de dados lexicais e de
imagens, os pesquisadores conseguiram identificar ligações entre
padrões registrados pelo método de imageamento por ressonância magnética
funcional (fMRI) dos sujeitos experimentais e os seus relatos verbais.
Estes resultados, segundo os autores do artigo publicado online na revista Science,
no dia 4 de abril último, sugerem que a experiência visual específica
durante o sono é representada por padrões de atividade cerebral de
maneira muito semelhante aos que são responsáveis pela percepção de
estímulos, fornecendo uma maneira de sondar os recondidos de nossas
mentes durante o sono e descobrir os conteúdos subjetivos dos sonhos por
meio de medidas objetivas da atividade neural.
É impossível não começarmos a especular
sobre as implicações dos possíveis desenvolvimentos deste tipo de
tecnologia, em um futuro não tão distante. E mesmo que ainda seja muito
cedo para nos assustarmos com tais possibilidades, creio já ser tempo de
nos maravilharmos com o que podemos fazer com nossos conhecimentos
sobre como o cérebro funciona e as tecnologias que emergem daí.
Horikawa, T. , Tamaki,
M., Miyawaki, Y., Kamitani, Y. Neural decoding of visual imagery during
sleep. Science. Published Online April 4 2013 doi:10.1126/science.1234330.
Underwood, E. How to build a dream-reading machine. Science. 2013 Apr 5;340(6128):21. doi: 10.1126/science.340.6128.21.
Interessante mesa redonda sobre questões científicas, sociais e políticas relacionadas a ideia de um apocalipse zumbi que teve como participantes o escritor bestseller Max Brooks, autor de 'World War Z', que está sendo adaptado para o cinema, e 'Zombie Survival Guide'; Matt Mogk, diretor da Zombie Research Society e autor de 'Everything You Ever Wanted to Know About Zombies'; do médico psiquiatra Steven
Schlozman, da Harvard Medical School que escreveu 'The
Zombie Autopsies'; e dos escritores Scott Kenemore, autor de 'Zen of Zombie', '
Z.E.O.' e 'Zombie' e James Lowder, autor de 'Prince of
Lies' e editor do livro 'Triumph of The Walking Dead'; além do neurocientista Bradley Voytek, pesquisador da Universidade da California, em Berkeley que escreveu 'Scanning the Zombie Brain'.
Quando eu
era bem pirralho, fazia meu pai me contar histórias sob medida,
frequentemente corrigindo o desenrolar do enredo e os detalhes do
cenário e ambientação. Eu dava o argumento e ele tinha que desenvolver o roteiro, mas eu tinha sempre a palavra final e o mantinha na linha. Afinal, quem mais sabe o que uma criança quer ouvir do que ela própria?
Um dos meus cenários favoritos envolvia algum tipo de aventura submarina, muitas vezes passada em
abismos profundos e em que o protagonista (o meu alterego mais corajoso, adulto e bem equipado) enfrentava condições extremas com aparatos tecnológicos de ponta, vivendo situações
de extremo risco ao ter que lidar com criaturas fantásticas, como lulas gigantes ou tubarões de alta
profundidade de seis e sete guelras.
Minhas fontes, na época, eram
dicionários enciclopédicos e enciclopédias, como o KLS e a Barsa,
e os documentários sobre vida animal que passavam domingo de manhã
nas TVs abertas. Percebam que falo de uma época em que TVs por assinatura eram sonhos
de consumo distantes de adultos que haviam tomado conhecimento deste serviço no
mercado Norte-Americano. Essas coisas não existiam no Brasil.
Para minha sorte, a falta de fontes mais atualizadas e mais
específicas, associado ao fato do meu próprio senso crítico estar ainda longe de minimamente maduro, me cegava para certas incoerências e inconsistências das
tramas, me permitindo vivenciar aventuras mais
dramáticas do que seriam se eu realmente pudesse levar em conta
todos os detalhes técnicos envolvidos nas situações e cenários
com que eu e meu pai lidávamos. Mas isso não quer dizer que eu deixasse minha imaginação correr desenfreada, pois aquilo que eu sabia eu aplicava, ou melhor, fazia meu pai aplicar na história.
Hoje com
a quantidade absurda de fontes livres na internet não sei onde minha
imaginação poderia ter me levado, mesmo sendo mais facilmente tolido por um lado ao me deparar com certas dificuldades técnicas, por outro, sem dúvida os cenários e temas poderiam se multiplicar e novas ideias certamente seriam fáceis de serem incorporadas.
Talvez, simplesmente, eu ficasse entretido com
outras coisas mais frívolas e mais facilmente absorvíveis para uma criança com menos de oito anos e, possivelmente, jamais
descobrisse essas e outras maravilhas que hoje estão a poucos cliques de distância de cada um de nós. Mas, quem sabe,
minha imaginação não teria se desenvolvido ainda mais e eu, e meu pai, poderíamos ter
cocriado histórias ainda mais realistas e
interessantes, uma vez que o ímpeto de contornar certas impossibilidades poderia ser ainda mais divertido e fecundo. Realmente eu não sei. O que sei é que até hoje sou
fascinado pela exploração dos oceanos e tecnologias de exploração submarina,
além de só ter aumentando meu interesse por criaturas das profundezas
como lulas gigantes e grande (e pequenos) tubarões de águas
profundas.
Uma das coisas que me lembro é que
tinha uma fascinação por escafandros e especialmente por trajes
'atmosféricos
de mergulho' que são basicamente submarinos individuais com braços e pernas que mantém a pressão atmosférica da superfície e nos quais, por causa disso, os
'mergulhadores' não estão sujeitos aos problemas associados a
pressão e principalmente a descompressão que ocorreriam caso eles usassem trajes convencionais, além de permitirem que seus usuários desçam muito mais fundo.
Estes trajes atualmente
são exemplificados pelos 'newsuits' que possuem sistemas de auto-propulsão e são mais elegantes que os que serviam de ilustração nas enciclopédias e dicionários que eu dispunha. Para quem
era fã, como eu, de Jacques Cousteau e do 'Laboratório Sumarino' (a
versão original, e não a versão do 'Adult Swim' que só fui virar fã
depois de bem adulto, claro) já era claro que mergulhar em águas
profundas era algo mais complexo que demandava muita preparação e
precauções extras com acertar a mistura respiratória, determinar sua duração e o tempo e taxa de subida do mergulho, quando não demandaria mesmo a
espera em pequenas e claustrofóbicas câmaras de saturação e descompressão por
horas, se não dias ou mesmo semanas. O trabalho em plataformas de petróleo
no Brasil e no exterior que era tema de programas jornalísticos como
Globo Repórter também me ensinou muito sobre isso, diga-se de
passagem. O fato de eu ter um primo que trabalhava na área também
sempre me inspirava e mantinha este mundo muito perto de mim.
Assim, os
trajes atmosféricos eram uma excelente saída para evitar os
problemas da exploração submarina tradicional, permitindo aventuras
mais enxutas e rápidas em que os heróis pudessem chegar mais fundo
e retornar a superfície em questões de no máximo poucas horas. Essas coisas não eram tão claras para mim quando eu era criança, mas já estavam implícitas em várias das minhas escolhas e muitas vezes já em um estado relativamente bem consciente, ainda que os detalhes não estivessem nada claros.
Admito
que eu era mais displicente com a questão zoológica das tramas, embora essa fosse a minha paixão.
Eu exigia não só lulas gigantes, como polvos gigantescos, muito maiores do que os
conhecidos e bem mais agressivos que os que são encontrados no
atlântico norte, o que fazia claramente flertar com a criptzoologia e com o
lado mais 'fringe' das ciências, uma vez que estes tipos de animais ainda não passam de mitos e exageros. Eu buscava algo como os
equivalentes (com esteróides) das lulas Humboldt com toda sua
característica voracidade e beleza ímpar, mas bem maiores.
Os
tubarões eram outra paixão e devo muito desta paixão aos meus
livros da coleção 'Os Bichos' em que através de ilustrações
realistas eram retratadas diversas criaturas de várias épocas e
localizações geográficas, com detalhes suficientes para deixar garotos de menos de 11 anos completamente fascinados.
O ponto interessante é que com o passar dos anos e com minha
entrada na faculdade me tornei um pouco mais cético de algumas
informações ali descritas, especialmente por que eram bastante desatualizadas. Porém, para a minha surpresa assim que os
documentários de TV sobre vida selvagem começaram a se tornar muito mais
comuns e canais como Discovery Channel e NatGeo, além da boa é
velha BBC, começaram a se tornar mais conhecidos, acabei por
descobrir que mesmo algumas das afirmações mais impressionantes
daquela coleção de livros tinha uma boa base factual. Os tubarões
brancos saltadores são o exemplo que me lembro melhor e que até
hoje me deixam impressionado.
Muitas das informações que dispunha através dos livros eram 10 ou 20 anos desatualizadas e os registros de animais de águas profundas vinham de coletas em redes de pesca e poucas visitas com batiscafos e submersíveis a estas localidades remotas, mas isso mudou e pude acompanhar esta mudança. Atualmente, com ROVs e tecnologias semelhantes, inclusive não destinadas a pesquisa oceanográfica mas sim a prospecção e manutenção de plataformas de petróleo, temos muito mais informações sobre essas fantásticas criaturas que estão se acumulando e que podem ser facilmente encontradas pela internet em um passeio por um site como o youtube.
O barateamento dos equipamentos de mergulho e cinematografia submarina também permitiu vários registros desses animais em águas relativamente mais rasas em que a proximidade entre os seres humanos e estes animais é muito grande. Estes vídeos de tubarões de seis guelras filmados por mergulhadores são incríveis e existem aos montes por aí.
Todavia, ainda acho que as lulas gigantes e colossais (Architeuthis e Mesonychoteuthis) merecem um destaque especial, pois graças ao trabalho de vários cientistas, especialmente o neozelandês Steve O'Shea, estes fantásticos animais têm sido cada vez mais estudados e as informações sobre eles cada vez mais divulgadas, tanto a partir de análises de animais mortos presos em linhas e redes de pescas (com direito a autópsias transmitidas ao vivo) ou encalhados nas praias como a partir de vídeos de exemplares ainda vivos durante a sua alimentação 'pegos no ato' por câmeras automáticas que nos dão um vislumbre maior da magnitude desses seres e do quanto temos a descobrir investigando as profundesas dos oceanos.
É bom e profundamente excitante ver 'sonhos de criança' materializando-se em fatos e conhecimento compartilhado, mesmo que não sejam tão mirabolantes e heróicos como eram minhas primeiras impressões destes temas projetadas nas histórias que fazia meu pai me contar. Mas, sem dúvida, a realidade também tem sua dose de surpresas que valem sempre a pena e muitas vezes superam qualquer ficção, mesmo a de um menino com a cabeça nas profundesas do mar.
Vivemos em período peculiar da história humana em que o acesso ao conhecimento é extremamente facilitado e no qual o próprio conhecimento é abundante, mas em que, ao mesmo tempo, existem tantas coisas a serem vistas e tantas distrações que não nos apercebemos desta facilidade e, pior, não valorizamos as possibilidades abertas pelas novas mídias e os tesouros que estão logo na frente de nossos narizes. Literalmente falando!
Não, isso não é exatamente uma metáfora, mas a
constatação que DNA de células masculinas, muito provavelmente advindos
de um feto gestado ou de irmãos
gêmeos que compartilharam um útero, são frequentemente encontrados nos
cérebros de mulheres [1]. Esta interessante descoberta foi divulgado no
dia 26 de setembro, em artigo da revista PLoS ONE [2].
Este artigo é a primeira vez que cientistas
demonstram o fenômeno chamado de microquimerismo e, células do cérebro
humano. O microquimerismo oc0rre quando células originadas em um
indivíduo integram-se os tecidos do outro, neste caso específico no
cérebro humano [1].
Essa não é a primeira vez, entretanto, que, em nós
seres humanos, este fenômeno de microquimerismo adquirido naturalmente
foi observado. Em outros tecidos e órgãos, diferentes do cérebro, isso
já havia sido constatado. O microquimerismo fetal, bem como a origem
materna havia recentemente sido relatada nos cérebros de camundongos. No
estudo publicado pela revista PloS One, os cientistas
conseguiram quantificar DNA masculino no cérebro humano feminino, como
um marcador para microquimerismo de origem fetal, ou seja, a aquisição
por parte de um mulher de DNA masculino enquanto estivesse gestando um
feto masculino [2]
Os
pesquisadores, usando o gene específico do cromossomo Y DYS14 como
marcador e empregando a técnica de PCR quantitativo em tempo real em
amostras de cérebro autopsiados de 26 mulheres sem evidências clínicas
ou patológicas da doença neurológica e 33 mulheres que tiveram a doença
de Alzheimer, conseguiram observar que 63% das mulheres, i.e,
37 das 59, testadas apresentava microquimerismo masculino em seus
cérebros, estando este marcador presente em várias regiões dos seus
cérebros [2].
De acordo com os autores do trabalho, estes dados
sugerem, entretanto, uma prevalência menor (p = 0,03) e também menor
concentração (p = 0,06), ainda que neste caso as diferenças sejam
estatisticamente insignificantes, do microquimerismo masculino em
cérebros de mulheres com a doença de Alzheimer do que nos cérebros das
mulheres sem esta patologia [2].
Os pesquisadores não tem ideia se estas correlações
querem dizer algo a mais. Como explica William Burlingham, da
Universidade de Wisconsin, que se especializou em cirurgia de
transplante estuda o microquimerismo no contexto da tolerância
imunológica, e que não estava envolvido no estudo publicado no PloS One [1].
“É uma correlação”, “Mas, como um monte de coisas no campo de microquimerismo, você não sabe exatamente o que a correlação significa ainda.” [1]
O próximo passo da pesquisa de acordo com J. Lee
Nelson, a pesquisador sênior responsável pelo artigo, é avaliar o
microquimerismo no cérebro fetal e investigar caso as células
microchimericas estabelecem ou não células funcionais nos cérebros dos
indivíduos em formação [1].
Estes resultados sugerem fortemente que este não é um
fenômeno raro, na verdade o microquimerismo masculino parece ser
frequente e amplamente distribuído nos cérebros das mulheres [2].
Chan WFN, Gurnot C,
Montine TJ, Sonnen JA, Guthrie KA, et al. (2012) Male Microchimerism in
the Human Female Brain. PLoS ONE 7(9): e45592. doi:10.1371/journal.pone.0045592
Nada de ‘biosfera das sombras’ e também nada de termos que reescrever os livros-texto de biologia. Os vários problemas metodológicos do trabalho original
realmente interferiram com as conclusões do trabalho original e os resultados eram artefatos
e não podiam suportar as conclusões mais fortes do grupo original de
pesquisadores por trás do artigo da Science. Os diversos métodos que eles usaram para inferir que a
GFAJ-1 incorporaria arseniato no lugar do fosfato, simplesmente, não eram
indicados para tal tarefa.
Rosie Redfield, uma das mais ativas críticas do trabalho original, foi uma das responsáveis por um dos dois estudos [1,2] que refutaram as conclusões
de Wolfe-Simon e colaboradores (2011) [3,4]. Ela e vários colaboradores
simplesmente cultivaram as mesmas bactérias em condições ricas em
arseniato, isolaram seu DNA, mandando-o para que fosse analisado por
cientistas em Princeton por métodos mais sensíveis e precisos, e nada
de arseniato foi encontrado nessas biomoléculas. O outro grupo liderado por Julia A. Vorholt
testou se essas mesmas bactérias sobreviviam realmente sem fosfato em
meios mais cuidadosamente preparados e controlados do que os usados pelo
grupo de Ronald S. Oremland, e no trabalho liderado pela geomicrobiologista Felisa Wolfe-Simon, e quando fizeram isso, a GFAJ-1, não cresceu.
Os dois estudos servem para mostrar a ciência em seu
melhor, se autocorrigindo e controlando a 'hype' criada pela NASA e de certa forma
permitida e estimulada pelos autores do artigo original da Science, publicado
online em 2010 e na versão imprensa em 2011. Este caso também mostra a
importância dos blogs como veículos para a crítica em ciência e que possibilitam rápido acesso, pelo público interessado,
a essas críticas, além de deixar claro o problema das expectativas dos cientistas na prática científica e
da pressão das agências financiadoras, no caso em particula, que organizou a
já notória conferência de imprensa que começou com essa história e onde
as especulações mais exageradas foram emitidas. O artigo não deveria ter
sido publicado com aquelas conclusões sem que outros testes adicionais
fossem feitos já que as condições de cultura estavam longe de serem as
ideias para que as conclusões pudessem ter um respaldo maior. Além
disso, o grupo - especialmente através de seu líder Ronald S. Oremland - há
muito tempo já vinha especulando sobre a ‘vida baseada em arsênio’ e sobre a possibilidade de
encontrar um ‘biosfera das sombras’
aqui mesmo na terra, ou seja, organismos com uma bioquímica alternativa
e que pudessem servir de modelo para o que poderíamos esperar encontrar
em outros mundos. Outro co-autor do estudo, o astrofísico e
astrobiólogo Paul C. Davies (cujo livro ‘O misterioso silêncio‘
já foi comentado aqui no blog), também é outro que tem levado
entusiasticamente a sério a ideia de encontrar, aqui mesmo na terra, esses
exemplos de bioquímica alternativa, o que ajuda a dar um pano de fundo
para a polêmica e, quem sabe, a explicar por que os autores foram tão descuidados em suas conclusões.
Essa situação nos força a nos defrontamos com os aspectos sociais e psicológicos da comunidade científica e nos mostram a importância de compreendermos as ciências
como empreitadas coletivas críticas e solidárias e não como o trabalho
de pessoas ou grupos isolados e nem de estudos únicos.
____________________________________
Reaves ML, Sinha S,
Rabinowitz JD, Kruglyak L, Redfield RJ. Absence of Detectable Arsenate
in DNA from Arsenate-Grown GFAJ-1 Cells. Science. 2012 Jul 8. [Published
Online July 8 2012] doi: 10.1126/science.1219861
Erb TJ, Kiefer P,
Hattendorf B, Günther D, Vorholt JA. GFAJ-1 Is an Arsenate-Resistant,
Phosphate-Dependent Organism. Science. 2012 Jul 8. [Published Online
July 8 2012] Science doi: 10.1126/science.1218455
Wolfe-Simon, F. et al.
A bacterium that can grow by using arsenic instead of phosphorus.
Science. Published online Dec 2, 2010. doi:10.1126/science.1197258
Wolfe-Simon F, Switzer Blum J, Kulp TR, Gordon GW, Hoeft SE, Pett-Ridge J,Stolz
JF, Webb SM, Weber PK, Davies PC, Anbar AD, Oremland RS. A bacterium
that can grow by using arsenic instead of phosphorus. Science. 2011 Jun
3;332(6034):1163-6. doi:10.1126/science.1197258