segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Tubarões, submarinos e o poço sem fundo da vergonha que viraram os canais discovery.

E houve um tempo em que eu adorava a ‘Semana do Tubarão’, mesmo com os exageros e o certo sensacionalismo típico dos canais Discovery, mas desde que para eles a realidade (mesmo exagerada) passou a não bastar mais, e começaram a produzir pseudo-documentários após pseudo-documentários, não consigo nem mais sintonizar na maldita semana do tubarão.

Agora, dando continuação aquela coisa ridícula sobre o Megalodon, vai passar aqui no Brasil outra pérola, desta vez sobre os famigerados ‘submarinos’, tubarões brancos bem acima dos maiores tamanhos registrados; verdadeiras lendas marítimas ou urbanas, como preferir. É na mesma linha dos programas sobre as sereias e dragões e do pouco conhecido aqui no brasil Animal Planet ‘Lost tapes‘, que pendiam mais para o terror e sobrenatural e faziam o estilo ‘filmagem encontrada’.

A diagram from the Shark Week show “Shark of Darkness: Wrath of Submarine,”
 which shows how big the fabled mega-shark would be if it existed. (Pilgrim Studios)

Entendam. Não é que seja um programa especulativo nos qual os documentaristas crédulos vão atrás de alguma criatura lendária ou criptídeo, daqueles que os caras terminam com um tufo de pelos (que mais tarde descobrem que é de um animal comum) ou uma imagem borrada e ambígua, como na série Animal X. Não, não é isso. Não se trata deste tipo de programa, que também é bem ruim.

Este programa da semana do tubarão do ano passado segue o mesmo gênero dos programas sobre dragões, sereias e sobre o megalodon. São pura ficção, mas apresentada desavergonhadamente como um documentário e, caso você não preste atenção nos alertas e desmentidos, quase escondidos e super rápidos que aparecem no meio ou ao final, você pode ser enganado e acabar achando que aquilo é um documentário mesmo, já que, em tese, é para isso que canais como o Discovery Chanel e Animal Planet serviriam. Claro, você pode concluir que há algo de muito errado simplesmente por causa dos problemas de produção, cada vez mais desleixada, e por causa da canastrice dos ‘participantes’ (atores) e no diálogo esquisito (roteiro ruim).

Para maiores detalhes, veja os comentários da zoóloga marinha sul africana Michelle Wcisel sobre o programa aqui, no qual ela relata os furos e inconsistências dele. Cada vez mais ficção (ruim) e menos informação.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Será que algum dia as máquinas irão pensar como os seres humanos*?

Belo quadrinho feito pelo neurocientista Dwane Goodwin e pelo ilustrador (autor da ótima tirinha PHD) e engenheiro roboticista, Jorge Cham, sobre as contribuições impressionantes do matemático britânico Alan Turing.

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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Sobre sereias, goblins de metal e jogos de Pimball/RPG: As muitas vidas do 'Dr Paul Robertson'


 
Olhem só o 'Doutor Paul Robertson' do 'documentário' [Cof!cof!cof!] 'Sereias' e 'Sereias: Novos indícios' trocou de nome (agora ele chama-se Mark Hoyt) e de profissão (de biólogo marinho caçador de sereias virou um geomorfologista), e não é que ele encontrou outro ser fantástico, desta vez 'Homem Goblin da Noruega'. O cara é bom mesmo!

Este trecho foi tirado de outro docuficção (como 'Sereias' e 'Sereias: Novos Indícios'), mas desta vez feito como parte de uma campanha de marketing viral para um novo jogo (Too Human) produzida pela Silicon Knights.



Mas caso vc ainda não esteha satisfeito, saiba que Hoyt/Robertson, mundou de novo de nome e agora é David Evans um diretor de criação de jogos (RPG/Pinball) recrutando jogadores para testarem o novo jogo "Rollers of the realm". O cara é fantástico.



E tem gente que realmente acha que os programas do AP e DC são documentários de verdade e feitos em cima de evidências reais de humanoides aquáticos descobertas por cientistas de verdade. Deixando a brincadeira de lado, isso é sério. O cara é um ator e não tem culpa do que os produtores do AP fizeram.

Por favor, não acreditem em tudo que assistem na TV. Se algo for muito bom para ser verdade, desconfie, provavelmente é bom de mais para ser verdade mesmo. Investigue, questione-se. Não deixe suas expectativas e seus desejos turvarem seu senso crítico.
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Nota adicional: Pelo que pude verificar até agora. David Evans  é o nome real do ator, e diretor de criação de jogos, que interpreta os Doutores Paul Robertson e Mark Hoyt. Notem que no primeiro programa (Mermaids: The Body Found) dois atores viveram o Dr. Paul Robertson, como eu havia dito, um deles Andre Weideman que fazia as re-encenações e o outro era o próprio Evans que fazia interpretava o 'cientistas de verdade'.  Essa estratégia não é única e foi usada em no filme "Contatos de 4º Grau" de 2009 (The Fourth Kind), em que a atriz Milla Jovovich interpretava a psiquiatra que havia feito sessões de regressão com vítimas de abdução e uma outra atriz, bem menos famosa, Mia McKenna-Bruce, interpretava a 'psiquiatra' original, misturando re-encenações e 'filmagens reais' para dar um clima mais realista. Neste outro caso de pseudo-documentário muita gente também acreditou que os relatos fossem reais e que seriam evidências de abduções por alienígenas.

Postado originalmente no dia 25 de outubro no blog calmaria&tempestade.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Agora é a vez do Megalodon


Se já não bastassem as sereias, o Discovery Communications (responsável pelo Discovery Channel e pelo Animal Planet) enfia o pé na lama mais uma vez, e se afunda ainda mais no lodo da falta de seriedade, com outro pseudo-documentário, desta vez

PASCAL GOETGHELUCK/SCIENCE PHOTO LIBRAR
sobre o Megalodon, uma gigantesca espécie de tubarão já extinta e que, de acordo com o apresentado no programa, teria sido avistado e documentado este ano. O programa que é completamente ficcional, tirando algumas informações sobre os estudos baseados nos dentes fósseis encontrados deste animal, traz apenas um pequeno aviso em letras pequenas, e que permanece por 3 segundos visível na tela, explicando a natureza ficcional do programa, mencionado que avistamentos de 'submarinos' (como, às vezes, são chamados tubarões brancos de grande

CHRISTIAN DARKIN/SCIENCE PHOTO LIBRARY
porte) ainda são feitos que, por sinal, é o máximo que pode ser dito sobre 'evidências' da existência de espécimens vivos do Megalodon, o que é tanta evidência quanto temos para o monstro de Loch Ness.

Isso não é só triste, mas revoltante. A produção e veiculação deste tipo de programa envolve conscientemente contar com a incapacidade de diferenciar a verdade dos mitos dos telespectadores que têm em canais como o DC e AP suas maiores fontes de informação sobre ciência, tecnologia e história natural.

Ao invés de informar e entreter, estes canais só querem aumentar seus níveis da audiência. Veja também reportagem da CNN neste link.
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Referências:

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Vênus emboletada





            Era uma longa noite pela frente. Meteu às pressas a calcinha verde de Teobromina, na esperança de um aumento nos níveis de serotonina, melatonina e, por conseqüência, no apetite sexual. Não queria voltar mais uma vez sozinha para casa.    Botou o sutiã de Levedopa, que não só lhe elevaria os movimentos cardíacos para a dança, mas, de quebra, poderia causar alguma euforia ou agitação.
            Como ia beber muito naquela noite, decidiu-se pela blusinha decotada de haloperidol, que evitaria náuseas e enjôos e, de quebra, aumentaria a troca de dopaminas no cérebro minimizando o possível efeito psicótico das outras roupas. Ela sabia que tinha que tomar cuidado com essa blusa, da outra vez suou tanto que a blusa a deixou com tremedeiras nas pernas e algumas contrações musculares involuntárias.
            Para a meia calça, ela quis algo especial. Aquela meia fininha, toda preta, de codeína, que ela guardava para ocasiões especiais, quando queria dançar e exibir seu corpo sem sentir aquelas terríveis dores na perna. Não sentiria nada, de fato, e se conseguisse agarrar um jovenzinho incauto podia até deixar ele dar uns tapas, unhadas e beliscões que estaria blindada. Às vezes se arrependia quando usava essa meia por causa da prisão de ventre nos dias seguintes, mas nada que um bom laxante não resolvesse. O que importava agora era essa noite.
            Os sapatos também seriam especiais, aquelas botinhas de Metilfenidato, de bico fino e saltinho alto, pretas para combinarem com a meia. Eram seus calçados preferidos por causo do efeito psicoestimulante que derivava do reaproveitamento da dopamina e seratonina, o que formava uma combinação de arrasar com o efeito das outras roupas. É claro que a lista de efeitos colateral das botinhas também era de arrasar, embora nem todas ela achasse ruins, como a perda de apetite, de sono ou de peso. Tinha ainda daquelas coisas que ela não conseguia entender nem com a ajuda do dicionário como a acatisia ou discinesia, então era melhor nem pensar nisso. Preocupava-lhe sim era a alopécia, a perda de cabelos, mas também não era nada que um implantezinho não resolvesse depois.
            Por fim uma saia de atropina, branquinha, combinando com a blusa, que lhe ajudaria a ressecar a pele, evitando aquele suadouro de rã no cio depois de dançar e uma novidade: uma echarpe de Piracetam, que uma amiga lhe recomendara para tentar manter os pensamentos em ordem depois do efeito das outras roupas. Agora sim, estava pronta para a noite.