Não é difícil encontrar exemplos de parasitas que manipulam o comportamento de seus hospedeiros de maneira a aumentarem suas próprias chances de sobrevivência e reprodução, a despeito do triste destino das criaturas por eles infectadas, mas apenas mais recentemente é que os cientistas começaram a compreender como exatamente isso ocorre. Fazem isso, por exemplo, através de estudos proteômicos os pesquisadores tem conseguido comparar os padrões de expressão de certas proteínas nos cérebros de animais infectados e não infectados, assim como, de maneiras mais diretas, ao investigarem o que ocorre em certas regiões cerebrais e com determinados neurotransmissores, como serotonina e dopamina. Desta forma, ganhando insights sobre quais as vias neuroquímicas são sequestradas pelos parasitas e como as moléculas que fazem parte delas estão envolvidas neste tipo de manipulação.
Em janeiro deste ano, um artigo de divulgação muito interessante saiu na revista The Scientist que ilustra um pouco sobre o que temos aprendido sobre essas bizarras estratégias de vida que parecem saídas de filmes de terror, como “Invasores de corpos” e “Enigma do outro mundo”.
Após ler (na verdade ouvir) o excelente livro do físico Lawrence Krauss “A Universe from Nothing: Why There is Something Rather Than Nothing” [1], procurando mais informações descobri um pequeno artigo, quase um resumo, escrito em 2002 para a revista Mercury por dois outros físicos, Alexei V. Filippenko, que sempre aparece nos programas da série “O Universo”, e Jay Pasachoff em que explicam, de maneira clara e simples, em que consiste exatamente a ideia de que o universo pode ter originado do nada.
O ótimo livro de Krauss até onde sei não foi ainda publicado no Brasil, mas é possível ver um video sobre do que se trata o livro nas palavras do próprio autor:
Mas o artigo de Filippenko e Pasachoff segue em uma tradução minha já que considero ele tremendamente claro e informativo e serve como um prelúdio para o muito mais amplo e esmiuçado livro de Krauss.
Na teoria inflacionária, a matéria, a antimatéria, e os fotons foram produzidos pela energia do falso vácuo, que foi liberada em seguida a transição de fase. Todas estas partículas consistem em energia positiva. Essa energia, no entanto, é exatamente equilibrada pela energia gravitacional negativa de tudo puxando todo o resto. Em outras palavras, a energia total do universo é zero! É notável que o universo consista essencialmente de nada, mas (felizmente para nós) em porções positivas e negativas. Você pode facilmente ver que a gravidade está associada com a energia negativa: Se você deixar cair uma bola que estava em repouso (definido como um estado de energia zero), ela ganha energia do movimento (energia cinética) enquanto cai. Mas este ganho é exatamente equilibrado por uma maior energia negativa gravitacional conforme ele chega cada vez mais perto do centro da Terra, de modo que a soma das duas energias permanece zero.
A idéia de um universo de energia zero, juntamente com a inflação, sugere que tudo que se precisa é apenas um pouquinho de energia para que a coisa toda se inicie (ou seja, um pequeno volume de energia em que a inflação possa começar). O universo então experimenta expansão inflacionária, mas sem criar energia líquida.
O que produziu a energia antes da inflação? Esta é talvez a pergunta derradeira. Tão insano quanto isso possa parecer, a energia pode ter vindo do nada! O significado do “nada” é um tanto ambíguo aqui. Pode ser o vácuo em um espaço e tempo pré-existente , ou pode ser nada mesmo – isto é, todos os conceitos de espaço e tempo teriam sido criados com o próprio universo.
A teoria quântica, e especificamente, o princípio da incerteza de Heisenberg, fornece uma explicação natural para a forma como essa energia pode ter vindo do nada. Em todo o universo, partículas e antipartículas formam-se espontaneamente e rapidamente aniquilando umas as outras sem violar a lei de conservação de energia. Estes nascimentos e mortes espontâneas dos chamados de pares de partículas “virtuais” são conhecidos como “flutuações quânticas”. De fato, experimentos de laboratório provaram que as flutuações quânticas ocorrem em todos os lugares, todo o tempo. Pares de partículas virtuais (como elétrons e pósitrons) afetam diretamente os níveis de energia dos átomos, e os níveis de energia previstos estariam em desacordo com os níveis medidos experimentalmente, caso as flutuações quânticas não fossem levadas em conta.
Talvez muitas flutuações quânticas tenham ocorrido antes do nascimento do nosso universo. A maioria delas desapareceu rapidamente. Mas uma sobreviveu o suficiente e tinha as condições adequadas para que a inflação se iniciasse. A partir daí, o volume original minúsculo inflado por um fator enorme, nosso universo macroscópico nasceu. O par partícula-antipartícula original (ou pares) podem ter posteriormente aniquilado-se um ao outro – mas mesmo se não o fizessem, a violação da conservação de energia seria minúscula, não sendo suficientemente grande para ser mensurável.
Se esta hipótese, reconhecidamente especulativa, estiver correta, então a resposta para a pergunta final é que o universo é o derradeiro almoço grátis! Ele veio do nada, e sua energia total é zero, mas, no entanto, possui uma estrutura incrível e complexidade. Poderiam até existir muitos outros universos assim, espacialmente distintos do nosso.
Imagem: Courtesy of AURA/NOAO/NSF.
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Referências sugeridas:
Krauss, Lawrence M. A Universe from Nothing: Why There Is Something Rather than Nothing Free Press, January 2012, 224 pages. [Esta referência é da versão em papel]
Quando falamos dos "desprivilegiados" esquecemo-nos que isso é assim por que muitos de nós somo s "superprivilegiados" e podemos simplesmente não nos preocupar com o que os outros passam. Não vivenciamos a carga de tudo que dá errado ser atrelado ao grupo que pertencemos, a cor que temos ou a genitália que possuímos.
BRUXELAS - Um estudo apresentado nesta terça-feira, 20, em Bruxelas comprova que o consumo moderado de cerveja após exercícios físicos é tão eficaz quanto a água para a hidratação, segundo especialistas médicos. Conclusão é de que uma quantidade moderada de cerveja 'não prejudica a hidratação após o exercício'
Conclusão é de que uma quantidade moderada de cerveja 'não prejudica a hidratação após o exercício'
Esta é uma das conclusões apresentadas no "VI Simpósio Europeu de Cerveja e Saúde", onde participaram especialistas em medicina, nutrição e alimentação da União Europeia.
O pesquisador Manuel Castillo, da Universidade de Granada, expôs os resultados de um estudo que consistiu em medir a reação do corpo à ingestão de água ou cerveja após a realização de esforço físico intenso. "Realizamos o estudo para comprovar se o costume de tomar cerveja depois do exercício era recomendável", explicou Castillo.
A conclusão foi de que uma quantidade moderada de cerveja "não prejudica a hidratação após o exercício". Tomar cerveja seria "a mesma coisa que tomar água", por isso é recomendado o consumo da bebida fermentada a todas as pessoas que não tenham nenhuma contraindicação.
"Não foi encontrado nenhum efeito negativo que pudesse ser atribuído à ingestão de cerveja em comparação com a ingestão de água", disse Castillo, que também afirmou que durante as conferências será apresentado outro estudo que descarta que exista "qualquer relação" entre o consumo da bebida e a tendência a desenvolver "barriga de chopp".
O médico Ramón Estruch, do Hospital Clínico de Barcelona, afirmou que os resultados dos estudos mostram que o consumo moderado de cerveja "ajuda na prevenção de acidentes cardiovasculares, graças aos efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios das artérias". Além disso, proporciona proteção contra fatores de risco cardiovascular, como diabetes, melhora a pressão arterial, regula o colesterol e previne a arterioesclerose, segundo a pesquisa.
Estruch informou que atualmente estão sendo feitas pesquisas para determinar se os benefícios da cerveja com álcool são maiores que os da cerveja "sem", embora haja indícios de que a primeira tem efeitos mais positivos. De qualquer forma, Estruch ressaltou a importância de "consumir a cerveja dentro de um padrão de alimentação saudável, preferencialmente a dieta mediterrânea".
Maria Teresa Fernandez Aguilar, pesquisadora da Agência da Saúde de Valência, informou sobre os efeitos benéficos da cerveja sem álcool para as mães lactantes. Ela citou o estudo que demonstrou que crianças amamentadas por mães que consumiram duas cervejas sem álcool durante a lactação têm menos possibilidades padecer de doenças como câncer e arteriosclerose, devido à transmissão dos componentes antioxidantes de bebida.
"Os resultados nos surpreenderam", afirmou Maria Fernandez, acrescentando que a cerveja sem álcool seria mais recomendável que outras bebidas gasosas com base química